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NUTRIÇÃO PET E CLASSIFICAÇÃO DE RAÇÕES

O mercado de produtos para alimentação de cães, gatos vem tendo um processo evolutivo muito rápido, através de um maior número de pesquisas, testes e teorias que auxiliam tecnicamente as empresas produtoras destes alimentos a se adequar cada vez melhor as necessidades do segmento.

Vários paradigmas foram quebrados e transformados em informações técnicas atuais e úteis para as fábricas buscarem a real necessidade do mercado. Através do aprimoramento nos estudos da fisiologia e exigência nutricional dos animais, foi possível determinar que existiam inúmeras falhas nos conceitos aplicados a nutrição animal, principalmente da linha pet. Antes só se falava de proteína, sem pensar em qualidade, digestibilidade, balanço e ajuste dos demais nutrientes na ração, com isso, houve sérios problemas com relação a criação de produtos que não atendiam corretamente as exigências dos animais e ainda, podendo trazer sérios transtornos fisiológicos.

Desde então foi descoberto que altos teores de proteína na ração podem trazer sérios danos a saúde do animal se não possuírem boa digestibilidade, estes transtornos seriam: Sobrecarga ao fígado, mal cheiro nas fezes, excesso de nitrogênio na urina e nas fezes, utilização da proteína como fonte energética, sendo que os carboidratos e lipídios exercem essa função com melhor qualidade e menor custo. Portanto, foi necessário aumentar a qualidade e digestibilidade das fontes de proteína da ração, trazendo uma diminuição da porcentagem da mesma nas formulações, e promover um melhor balanço e interação com os demais nutrientes (Lipídios, carboidratos, fibras, minerais, vitaminas) tornando o alimento completo em um todo e não em apenas um nutriente que pode acarretar em uma nutrição incompleta.
           
CONCEITOS DE NUTRIÇÃO

A nutrição animal nada mais é que o estudo dos alimentos que serão fornecidos aos animais, utilizados de forma economicamente viável e balanceada de acordo com a particularidade de cada espécie, e deve ser somada a um bom manejo higiênico e sanitário, para que seus resultados possam ser os melhores possíveis.

O alimento se divide na sua composição em umidade e matéria-seca. Na matéria-seca, podemos encontrar a matéria orgânica que nada mais são que carboidratos, proteínas, lipídios e vitaminas e também a matéria mineral onde se encontram macro e micronutrientes essenciais a fisiologia animal.

AVALIAÇÃO DE MATÉRIAS-PRIMAS

A avaliação dos alimentos que serão utilizados para composição da ração são de suma importância, pois a qualidade destes alimentos que determinarão a qualidade da ração, sua digestibilidade, e bom funcionamento fisiólogico para suprir as necessidades energéticas dos animais. Com isso, devemos sempre observar nas matérias-primas ou alimentos, a qualidade e quantidade de nutrientes que o alimento possui, isto se torna importante, pois é baseado nestes dados que podemos classificar os alimentos, compara-los, adquiri-los e balancearmos a ração. Depois de balanceada a ração podemos avaliar como a mistura destes alimentos vão se interagir através de análises químico-bromatológicas, e a mais utilizada e simples é através do Método de Weende que nos permite determinar: teor de matéria-seca, gordura ou extrato etéreo, fibras, proteína, minerais e carboidratos.

AVALIAÇÃO DA RAÇÃO

Após a ração pronta devemos então avaliar seus resultados perante a cada espécie e época da vida animal. Sabendo que a ração e seus nutrientes serão utilizada no organismo para formação de tecidos (nervoso, ósseo, muscular e adiposo), manutenção do metabolismo, ganho de peso, etc.

Sem esquecer que em cada fase da vida animal as necessidades e quantidade de ração variam para que suas necessidades sejam supridas.

Após ingerido o alimento, ele passa pelo trato gastrointestinal (no caso de monogástricos) e sofre ação de várias enzimas, a perda de nutrientes pelas fezes é a maior perda, mas varia de uma ração para outra, então a partir daí, podemos determinar o Coeficiente de Digestibilidade Aparente (CDA), que nada mais é do a quantidade de nutrientes perdidos nas fezes em relação a quantidade de nutrientes ingeridos. É  através disso que determinamos a qualidade da ração, ou seja, quanto maior for este coeficiente, melhor a digestibilidade e maior a qualidade da ração.

DIGESTIBILIDADE

Hoje em dia, com um mercado mais exigente e um pouco mais informado, acredita-se que finalmente os alimentos são avaliados pela sua qualidade através da digestibilidade e não pelos teores de proteína.  Pois como já foi citado no começo do texto altos teores de proteína, podem possuir baixa digestibilidade e ser perdido em grande quantidade nas fezes e urina, podem também causar alguns problemas a saúde do animal, sem contar em aumento grande da relação custo/benefício, e falta de balanço com os demais nutrientes que são de vital importância para a manutenção do metabolismo e fisiologia animal correta. Por isso, devemos sempre nos preocupar com a digestibilidade de cada alimento e não com os teores que ele possui, agora se o alimento possui boa digestibilidade, aí sim vamos para um segundo passo de avaliação, que são os níveis de garantia existentes na ração. Conclui-se portanto, que alimentos com teores de proteína abaixo de 20% ou acima de 26% podem representar baixa digestibilidade, ou balanceamento incompleto, pensando desta forma estaremos começando a seguir um caminho correto para avaliarmos e classificarmos um alimento, sua proteína e seus níveis de garantia. E cada ração portanto, é classificada de acordo com sua digestibilidade e qualidade e não de acordo com seus níveis de garantia.

CLASSIFICAÇÃO DE RAÇÃO

Existem atualmente no mercado diversas classificações de rações que seguem abaixo e todas são classificadas devido a sua qualidade e digestibilidade e não devido aos números existentes em seus níveis de garantia. Rações Populares ou de Combate - São os produtos mais baratos que existem no comércio. Normalmente formuladas com subprodutos de milho, soja, farelo de algodão, etc. Tais ingredientes, na ração de uma vaca ou de um cavalo seriam de excelente digestão, mas, a maioria dos pets são carnívoros, e precisam de fontes proteína de origem animal, pronta a ser assimilada pelo seu organismo. Os vegetarianos de quatro patas têm a capacidade de transformar proteínas e carboidratos de baixa qualidade em "produtos mais nobres". Os cães e gatos precisam dos produtos nobres já prontos. Rações "Standard" - São produtos de empresas de renome, que, na maioria das vezes, buscam através da mídia uma fatia maior do mercado consumidor. Por serem produtos de empresas maiores, têm um compromisso maior com a qualidade, e são formuladas com ingredientes qualitativamente melhores que as rações populares, ou seja, não são "tão subprodutos" assim. Contêm farinha de carne e ossos, glúten de milho, gordura animal, etc. Porém ainda não são "ideais" a nível de digestibilidade, mas são melhores que os "subprodutos". Quanto ao custo, estão numa faixa intermediária de preço. Rações Premium e Super Premium - São produtos de primeira qualidade em nutrição pet, por isso mais caros. Têm sua formulação baseada em carne de frango, ovelha, peru... Porém, realmente carne, ou resíduos de abatedouro, como digestas de frango, por exemplo (o que é diferente dos "subprodutos"). Tais ingredientes, de origem animal, têm maior digestibilidade, ou seja, o trato digestivo pet tem menos "trabalho" para metabolizá-los. Esta é outra característica das rações premium: como a digestibilidade é maior, o consumo diário de ração é menor (o que ameniza o preço da ração). Promovem ainda uma vida mais saudável, e reduzem o volume das fezes do animal. As Rações super premium são assim classificadas a partir de um certo percentual de digestibilidade, o que pode variar de acordo com os interesses dos fabricantes, pois não há um "padrão" neste sentido. Como consumidor, para saber se a ração é de alta digestibilidade, ou não, basta analisar na embalagem os ingredientes que compõem a ração. As fontes proteicas devem ser de origem animal (carne de frango, carne de peru, digestas de frango, carne de ovelha, ovos, etc.). E as fontes de gordura também, ou pelo menos óleos vegetais nobres como, por exemplo, óleo de linhaça. Fontes proteicas vegetais como soja, glúten, etc. não têm alta digestibilidade. É bom desconfiar de produtos que têm em sua relação de componentes coisas como "carne de aves" (urubú também é ave / e de que parte da ave estão falando? Pena e bico são proteína pura e de baixíssima digestibilidade). O que pode aumentar a digestibilidade da ração é a presença de fibras de moderada fermentação (p.ex. polpa de beterraba branca), que aumenta a eficiência absortiva dos enterócitos. Outro ingrediente que melhora a digestibilidade são os F.O.S. (fruto oligo sacarídeos), que alimentam a microbiota intestinal, ou seja, beneficia o crescimento de "boas bactérias" no intestino, o que leva a uma melhor fermentação do bolo alimentar. Resumindo, quando compramos uma ração para o amigo peludo, devemos estar atentos aos níveis de garantia (percentuais de proteína, gordura, etc.) e a qualidade dos ingredientes. Por exemplo, uma ração para cachorro deve ter, no mínimo, 20% de proteína. O que é relativo, porque carne é fonte de proteína, e pena da galinha também. Carne é bem mais digerível que pena. Outro detalhe é o equilíbrio entre percentuais de proteína e gordura. Não é eficiente uma ração com 30% de proteína e 8% de gordura, nem outra com 18% de proteína e 20% de gordura. Um quarto grupo de rações pode ser citado, as rações terapêuticas. Têm indicação clínica, sendo auxiliares no tratamento de diversas enfermidades. Seu uso deve obedecer os critérios do Médico Veterinário responsável pelo cão.